quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sól' amô

por: Rodrigo Francisco Barbosa

“Sól amor vale tudo na viidaa, sól amor é a inspiração” De um fusca com uma das portas abertas oscilava essa melodia que tragava todo o obscuro bar e as mesas do lado de fora responsáveis pelo contorno da esquina da rua Teodoro Magalhães com a travessa Jaqueline Esmeralda. Por pura coincidência, da qual os convivas do bar certamente se orgulhariam, esses dois nomes foram responsáveis no passado, por um grande rebuliço na cidade. Teodoro Magalhães, o afortunado bancário de brilhantina e olhos doces perdera a cabeça pela rameira Jaqueline Esmeralda, a mais polida e travessa das rameiras da cidade. Desesperadamente apaixonado pela rameira, mas sem conseguir êxito com a mulher de todos, Teodoro enforcara-se na frente do prostibulo Pinga de mel número 66. O caso foi que a população, mais do que ocultar aquele descaminho, tratou de validar o último pedido de Teodoro, aquele homem de extrema influência pública. No bilhete no bolso esquerdo do paletó estavam grafadas em letras garatujas as seguintes palavras: “Só o amor vale tudo na vida, sem minha Esmeralda que me arranquem me a cabeça e quem dera outrora um dia um visitante desta cidade odiosa encontre-me em nome completo de cartório junto com minha Esmeralda em nomes de ruas que se encontrem numa esquina”. Assim diziam. Mas tudo isso era apenas um dos mitos daquela cidadezinha conhecida por seus inúmeros bares e igrejinhas. Valha-me deus! Quase que numa celebração, homens gordos e queimados pelo sol ouviam na porta do Bar da Esmeralda essa melodia de amor. Sem ao menos suspeitarem, enquanto suas peles reluziam ante o sol ardente, riam-se sedentos por aquela felicidade dos povos do sol, a ponto de levar a loucura qualquer visitante que, com olhar interrogativo perguntava-se a si mesmo com que direito aqueles homens asquerosos de rostos rugosos tinham de celebrar ali, tão gratuitamente aquela felicidade ardente. Ninguém, sequer nosso amigo forasteiro que não fora um dos iniciados convivas, teria o direito de compreender que tratava-se de um ato divino; tão divino quanto isso significava também, humano. Celebravam a perda da cabeça do homem de brilhantina que não suportava viver sem que fosse nos braços de Esmeralda: “sem amor a esperança é perdida, por amor escrevi esta canção”...continuava então aquela felicidade suada num compasso melodioso tarde a dentro.

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