quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sétima carta

No momento em que escrevo esta carta, Apolo, me encontro em uma sala, trancado, rodeado de coisas que adquirimos com o passar dos anos.
Demorou muito tempo para que as circunstâncias nos unisse novamente.
As vezes a gente pensa que está escrevendo bobagem e só conseguimos acentuar as desconfianças.
Quando há indícios que afirmam isto, procuro me distanciar e respeitar nossa consciência. 
Este é o ponto em que não consigo transmitir nada. São horas que prefiro me calar à concluir parte daquilo que conheço da minha infância.
Mesmo que um dia eu venha finalizar todo este processo, talvez você será o único que compartilhará de minhas confidências.
Tudo quanto se sabe é que no carregar dessas reminiscências, posso avaliar de maneira mais coerente todo o processo a que fui submetido.
Por tanto, examinaremos juntos todo o conteúdo e os efeitos ocultos exercidos sobre mim.
Esta é a oportunidade que encontrei para denunciar a falta de sensibilidade e afeto que edificou o desconforto que agoniza por tanto tempo aqui, dentro deste peito.
Não sei de onde e nem porque amplio essa pressão sobre meu comportamento, mas este é o processo que ocasionou o nosso reencontro.
Essa viagem sentimental será transmitida e conservada nos vestígios de minha infância.
Por tanto, isso levará um tempo, Apolo, pois dos trinta já passei e hoje reconheço que os adultos podem fazer coisas que as crianças não podem.
Não me resta dúvida, Apolo, sou qualquer um para qualquer um, menos pra você.
Esta noite necessito do silêncio.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sexta carta à Apolo

Esta noite tive um sonho do qual me fez recordar dos dias em que me escondia quando as visitas apareciam inesperadamente tomando conta da casa e ditando regras que acreditavam servir para todos alí.
Somente com a necessidade da identificação dos que alí estavam, aparecia para justificar seja lá o que era. Não sei mais identificar o que viria ser aquele desejo de estar e não estar ao mesmo tempo alí com aquelas pessoas.
Sabe o que é mais interessante, Apolo, recordando deste tempo em que omitia o que sentia?
Que eu ainda guardo resquícios de um medo controlado que luta contra minha consciência.
Não me resta dúvidas agora do quão subordinado eu era à essas pessoas que diziam sentir algum afeto por mim.
Nesta época meu coração estava na ponta de meus dedos.
Embora este que acorda já não mais se submete a certos sentimentos, só o fato da lembrança resistir ao tempo, tenho a impressão de que a odisseia de minha vida ocultou uma época pressionada pela intimidação.
Distante dali, posso afirmar que estabeleci uma batalha que venci pela sabedoria.
Devido ao tempo e o pouco recurso de minha memória, encerro aqui mais uma passagem de uma infância dividida entre o medo e a alegria.
Sem dúvida, é impossível que impeça o rio de correr.
Até breve!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O tigre insignificante e o rato desmedido

Escuta, meu caro, disse o demônio, colocando a mão sob sua escrita.
Eu não ensino nada, eu só estimulo a sua inveja.
O que chamo de remorso não é mais do que a insatisfação que sentes quanto a você mesmo.
A arte de colocar as palavras e criar possibilidades que a transformam em símbolos significativos é o que sintetiza a minha superioridade e desarma a sua ratoeira.
Certamente, o que resulta na sua imbecilidade, ou seja, quando estabelecida essa compreensão, obtemos, de imediato, a distância.
Esta ação você foi incapaz de definir e a incerteza sempre superou suas escolhas.
A ação consiste na realização do exercício do pensar, e o que fiz foi atrofiar com palavras o seu refletir.

sábado, 17 de novembro de 2012

As costas protegidas

Cem mãos p'a bizuntar-me'as costas,
Peg'o sol e enfi'ela na pele.

Por Rodrigo Satis

Os símbolos permanentes

Observei que sua tática é uma só, mas não monótona.
Oculto no timbre da tua voz, tudo é matéria-prima que não prescreve o outro.
Não se trata de um esforço de revisão, mas estruturar o tempo dentro das incompreensões que devem ser combatidas logo que surgem.
A importância disso consiste exatamente na tentativa de compreender a riqueza de informações que torna a vida apaixonante.
Todavia, como já citado, a abertura à vida, mesmo sendo uma dimensão essencial, não significa que todo ato deva sempre traduzir fecundação efetiva.
Pois bem, os procedimentos acima, introduzem uma cisão em contraste com o caráter profundamente humano e interpessoal da relação procriativa.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

À'mar

E de novo eu vi o mar
Fitei o mar, sonhei o mar;
Li suas'entrelinhas
Era como amar...

Por Rodrigo Satis